jan 04

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O meu amigo Fabinho Bisteca da Vila Rosa falou que um amigo dele tinha uma armação de um quarter pipe na casa dele e que a mãe dele queria jogar fora, então fomos lá conferir o material, e era verdade mesmo, uma estrutura em madeira impecável estava pronta para ser levada para a praça onde construiríamos um verdadeiro bike park em um local que já estava sendo considerado um ponto de referência para o esporte, todos que passavam ao fundo da rua percebiam que naquela praça teria se tornado um local de diversão pura, amizade com diversos pontos positivos para a difusão da modalidade, várias pessoas começavam a andar de bike devido a aquele momento, aquele lugar, muitas idéias eram trocadas ali, em relação a atual situação do esporte nacional, os planos futuros etc. e que planos, começamos a construir o quarter pipe encostado no muro do PIVI e mais uma vez o apoio de voluntários fazendo os mais diversos tipos de serviços foi intenso, as chapas de madeira iam aparecendo de todos os lados, junto com os caibros e sarrafos, era tudo cortado no serrote e não faltava esforço para concluir a pista de maneira mais rápida possível. Eu me lembro que tinha uns restos de concreto bem enfrente ao quarter e que atrapalharia o acesso ao obstáculo, e com marreta e picareta nós arrancamos tudo e depois varremos, ficou tudo muito perfeito, o quarter já estava em processo acelerado e o Psico já ensaiava os primeiros drops lá de cima, o que é isso, olha só o pico que nós construímos, virou um point muito style, as pessoas chegavam, estacionavam os carros ao lado do quarter, ligavam o som, tinha até vendedor de hot dog, era diversão pura, mas estávamos em um local público, e rodeado de vizinhos nada satisfeitos com aquele movimento, talvez por preferirem a praça como estava, suja e abandonada, talvez por se incomodarem com a nossa atitude, adotar a praça e deixar tudo limpo e impecável, ou talvez pela inveja mesmo, eles não participavam e mas ninguém iria participar. Era um domingo à noite e a praça estava simplesmente o Bike Spot dos Sonhos, fomos dormir para sonhar um pouco com tudo aquilo, já que parecia mesmo um sonho, acordar no dia seguinte representaria continuar o sonho, tínhamos planos de adotar a praça definitivamente, montar uma guarita com soldados da bike, para monitorar e proteger os obstáculos 24 horas por dia, montar uma escolinha é claro, para a molecada iniciar no esporte com apoio total, mas não tivemos muito tempo, o pior aconteceu, tava na cara!.
Segunda Feira, por volta das nove horas da manhã chega um caminhão da prefeitura com alguns funcionários e em poucos minutos… o pesadelo veio à tona, tudo foi destruído muito rapidamente, eles estavam cumprindo ordens, jamais imaginavam o que aquilo representava para nós, os bikers de Santana (nome que nos foi intitulado pelos bikers de diversos pontos da cidade). Um clima de velório tomou conta de todos, não era a morte de uma pessoa, mas sim a morte de todo um movimento, tinha muita gente envolvida, ficamos completamente sem ação, apenas lamentando o ocorrido, era inacreditável, as pessoas passavam pela rua e paravam para ver o que tinha acontecido, não podia ser verdade, estava tão legal, por que fizeram isso, ficamos anestesiados durante horas e cada um que aparecia se juntava com o pior sentimento possível, uma dor sem medida, uma perda irreparável, ficamos arrasados. Mas não nos entregamos tão fácil, foi decidido que o primeiro caminhão de terra que rondasse a região seria abordado e iríamos forrar a praça com terra, começar tudo de novo, a madeira sai fácil, a terra não, então algumas semanas depois a praça amanhece coberta com muitos caminhões de terra, mudaríamos as ferramentas, ao invés de serrotes, pregos e martelos agora chegou a vez de pás, enxadas e carrinhos de mão, mas isso já é outra estória…

Clique nas fotos para amplia-las.

Sessoes noturnas
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Era de terra e praça
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dez 05

Já a muito tempo que se tem notícias de bmx andando na praça, no auge da extra-light por exemplo, em meados de 82 83 quando o filme ET batia recordes de bilheteria impulsionados pelas imagens alucinadas e nunca vistas antes. A imagem das bikes voando na fuga de Elliot ficaram gravadas na memória de todos nós e diversos novos filmes sobre o freestyle bmx vinham da Califórnia para matar a fissura dos brasileiros com um verdadeiro show de técnica e criatividade dos gringos, e tenho notícias inclusive de algumas fotos de sessions de bike na praça dessa época (ainda estou procurando, quando achar vou postar com certeza). Na parte de cima da praça eu tenho lembrança da primeira rampa, que eu vi, descendo pelo asfalto da rua Fulvio Morganti entrando a esquerda e passando em frente a casa do miguelzinho. Era a rampa do xixo que tinha uma plataforma de terra e um copping de madeira, um tronco, e a recepção de terra do outro lado, com uma passagem no meio. Comecei ai então a ensaiar meus primeiros jumps com minha mountain bike trek modelo 9500.
Então, após a bicicletaria ter sido inaugurada na rua da parte de baixo da praça, foi criada uma nova rampa, em um barranco no final da rua, ao lado da escada, foi improvisada uma proteção na guia e após descer a rua Nestor Passos, uma curva à esquerda na Irmão Creef e estávamos indo à caminho da tal rampa, um salto em direção a uma plataforma de asfalto, no antigo campo, em frente a Pivi. Muitos dos entusiastas das trilhas da Cantareira, começaram ali naquela rampa os primeiros vôos com bikes de aro 26.
Logo após esse episódio foi construída a rampa menor, grafitada pelo lizoide e construída pelos integrantes da BackFlip Bikes junto com alguns amigos. As sessions de bike entravam noite a dentro, bikers vinham de todos os lugares atrás do novo bike spot que ouviram dizer na redondeza, e as sessões de jump rolavam sem parar na tal da praça Dom Francisco Xavier Aranha, enquanto Cléber, Xixo, Pzico e Pork começavam a ensaiar os primeiros vôos da modalidade go for it! onde a rampa era afastada da recepção proporcionando momentos de adrenalina total. A primeira grande rampa na praça foi construída na sequência com uma mesa de madeira, uma recepção bem maior e uma rampa, a rampa foi construída a olho sem algum tipo de cálculo e ficou muito perfeita, ficou demais, amigos que já se identificavam com a o movimento na praça traziam madeira de todos os cantos, caibros, sarrafos e chapas de madeira surgiam a todo momento, obras, tapumes e outros locais se tornavam fontes de madeira que teriam o destino certo, diversão e técnica sobre bikes, a essa altura uma legião de bikers de aro 20, ou as conhecidas bmx também faziam parte do cenário, após o primeiro campeonato de bike da BackFlip (circuito get a jump on, etapa torcendo a bike) a praça se tornou ponto de referência brasileiro pois o evento contou com bikers de diversas partes do Brasil, sendo inclusive considerada uma etapa do brasileiro de BMX Freestyle. (Nas fotos abaixo eu na rampa de cima no início de 95 com minha trek tamanho 20, e abaixo, Lizóide já na rampa maior nas intermináveis sessions que entravam noite à dentro, dois anos depois).

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nov 06

A equipe BackFlip se formou em 95, mas tive o prazer de conhecê-los alguns anos antes, quando, em abril de 89, mudei para o Jardim Paraiso, bairro onde todos já moravam. Em meados de 91, eu já conhecia o Zulu e o Fran, que me convidou para ir até a casa do pai dele no Alpes de Caieiras, ele falou que o Ricardinho (irmão do Fran) estava lá junto com um amigo que morava em frente ao prédio, era o Clebinho com apenas 11 anos de idade, mas que já aparecia vez ou outra pilotando seu Walk Machine pelas ruas do bairro.
Ao chegar no Alpes, eles estavam jantando e eu fiquei na parte de fora da casa conversando com o Fran, o meu irmão Lizóide também estava e nós iríamos fazer uma caminhada pelo condomínio a noite, e depois ficaríamos na fogueira. Após uma rápida conversa com o Clébinho, já percebi que ele era um piloto que iria dar muito trabalho.
O Xixo eu conheci um pouco depois, na época da rampa de skate do Tompo, o Xixo tinha uma Extra Light muito louca e começamos a trocar as primeiras idéias, essa época eu estava conhecendo toda a equipe Jd. Paraíso e o ponto de encontro era justamente a rampa de skate, ao lado da casa do Clébinho.
Poucos anos depois, já estávamos todos juntos fazendo as trilhas na Cantareira, pegando carona no ainda em construção Mc Donald’s, na esquina da Maria Amália, e a diversão era o sentido de todo aquele movimento, acordávamos bem cedo para chegar na serra e iniciar a trilha dos Macacos. Me lembro na sequência quando o Xixo foi pra Monte Verde comigo e meu irmão, ele tinha um quadro Aspen da Caloi amarelo e uma suspa rock shox mag 21, arrepiava nas descidas cabulosas de Minas Gerais, já o Clébinho comprou uma Bike GT Outpost e poucos dias depois eu organizei um campeonato no Saco Roxo junto com o Felipe, ainda nos treinos eu vejo o Clébinho chegando com sua bike dividida em alguns pedaços, era pouco equipamento pra ele.
[img:xixosacoroxo.jpg,thumb,vazio] [img:clebersdhfest.jpg,thumb,vazio] [img:Pra__aDomFranciscoXavierAranha.jpg,thumb,vazio] [img:Zullu.JPG,thumb,vazio]
Então Cleber e Xixo decidem montar sua própria bicicletaria, estávamos na minha casa preparando a primeira tabela de preços dos serviços oferecidos, quando perguntei qual será o nome da bicicletaria, então ele disse, como é o nome daquela manobra que o Tody Lyons deu naquele filme? surge então a BackFlip Bikes.
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(Esse texto é dedicado a memória de Arquimedes Moura Júnior, que após esse fato entrou de sócio com o Cléber e Xixo na BackFlip Bikes, eles montaram a bicicletaria na casa de Arquimedes, e ao fundo da sua rua ficava a tal da praça Dom Francisco Xavier Aranha … onde seriam realizados campeonatos de dirtjump de 1996 a 2006).

set 27

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Normalmente não existia uma programação para agilizar uma barca, era o assunto estar na roda e alguns loucos com suas bikes para sair um rolê; O sentido?; vich; Aquela buraqueira da Fernão dias, vídeo game puro, na night então; Não entrar nas crateras com a caranga era a missão ao destino das montanhas de Monte Verde (MG); Na oportunidade quatro amigos estavam dispostos a enfrentar a arrebentação da Fernão e partir para as morras; Clebinho com seu estilo arrojado, chamando nas base com sua Caloi Alumínio no garfo; Zicão com sua personalidade humilde sempre arrebentando nos drops e voando cada vez mais alto; Marcelinho Rouco se atirando em qualquer local; Eu no pilote da caranga e a fim de muita trilha, na fissura da natureza; Pousada?;Hotel?; Ali mesmo na pistinha de motocross, aonde desce os discos voadores, aonde se vê a lua sair atrás das montanhas; Carros?; Ruas? [img:visu.jpg,thumb,vazio] Estamos no meio do mato, no descampado dos discos voadores, será que eles vão aparecer?; Nosso acampamento constava apenas com uma barraca pequena e a caranga para repouso; Em certos momentos o gramado do descampado era a melhor cama depois de dez horas pedalando, empurrando a bike morro acima e curtindo o visual daquelas trilhas nas alturas, uma boa respirada e relaxada juntamente com os carrapatos dos cavalos que pastavam na área de pouso do et;[img:pista.jpg,thumb,vazio] Após o role, saia o rango, na nossa churrasqueira; Um buraco e uma grelha; A previsão de volta não foi cogitada em nenhum momento, o crucial seria o final do rango, das forças e o limite da higiene; O banheiro se encontrava após uma boa caminhada pelo mato adentro, colhendo frutas e verificando o melhor local para meditação;. Estávamos bem abastecidos com água e comida; Bike do amanhecer ao por do sol, quem agüenta?; Só quem tem a vibe da magrela mesmo; Para a surpresa dos integrantes dessa barca, recebemos uma visita inesperada do nosso irmão Ivan que ficou de cara com o nosso acampamento, estrutura e principalmente a diversão que estava sendo proporcionada; Chega de história, porque forrest gamp é mato; O descampado dos extraterrestres era recheado de rampas imperfeitas, próprias para motocross. Pulos em subida. Porque não inverter os sentidos do role?. Marcelinho foi salientado dos problemas que poderiam ocorrer devido as imperfeições das rampas. Recepção?que nada. Era só no zero. O local já tinha feito diversas vítimas, tais como Luiz Fernando (gordo), Ericao, tigues, dentre outros. Vamos la então. Primeiro role da barca. Cuidado Marcelinho. Ei Marcelinho cuida a última. A seqüência foi feita. Marcelinho veio mais atrás para verificar o drop. Era pra ser assim. Mas o bixinho desceu pedalando e quando chegou na última rampa não deu outra. Front flip certeiro; Abriu a tampa da cabeça, sangue e correria nos primeiros raios de sol do primeiro dia de role. Sangue caindo no olho, camisa estancando o buraco. Estávamos disposto a pegar a arrebentação da Fernão e levar mais uma vítima da última rampa para um hospital. Para surpresa de todos Marcelinho tava legal e não aceitou voltar e decidiu ir até a farmácia. Quem seria a próxima vítima. A preocupação com o Marcelinho era inevitável, mas tudo estava controlado e alguns pontos na cabeça solucionou o problema. A cabeça inchada deixou Marcelinho nocauteado tirando uma folga no primeiro dia ficando de boa no acampamento curtindo o silencio total. Voltamos no final de tarde depois de comer muita poeira. Bikes empoeiradas, corpos cansados e mentes realizadas. Vamos assar o chiclete de onça. Fogueira acessa. Que dia, que canseira, que diversão foi aquela. Cavalos rodeavam a menos de um metro, harmonia entre ser humano e natureza.[img:campingMV94.jpg,thumb,vazio] Acordávamos muito cedo, os primeiros sinais de sol era o despertador, alguns goles de algo que pudesse dar um agito no corpo e pronto, bike, bike e mais bike. Marcelinho zerado: Para onde vamos. Sei la. Vamos descer o descampado depois a gente resolve. Muitas opções. O que era aquilo. No quinto dia o limite bateu a porta. Fiquei um tempo tomando banho em casa, eu tinha um casco no corpo. Cinco dias em cima de uma bike, comendo poeira. Na volta todos de cabeça feita. Sentíamos diferentes de toda aquela agitação da volta, do transito e das pessoas que estavam na cidade grande. A tranqüilidade tinha batido a nossa porta e estamos na paz total. Nada interfere na nossa cabeça feita. Pico do selado. Pedra partida. Pedra redonda. Chapéu do bispo. Cachoeiras. Descampado…. Quem vai?

Texto por Luciano Sobral

ago 20

Essa é um pouco mais das antiga, acho que final de 93 e no lado B era todo dia, o carro ficava lá e quando terminava o lado A tinha o segundo tempo. As bikes da época eram totalmente desapropriadas para a prática de tal esporte, bikes que estão na categoria híbrida no catálogo de suas marcas atingiam velocidades inacreditáveis em descidas íngremes tanto na estrada quanto no single, a mountain bike arrepiava muito ladeira abaixo, era impressionante. No final do ano entra o verão com chuvas torrenciais, certos trechos de trihas totalmente elameados e outros quase secos, entrávamos logo de cara naquele chiqueiro ao lado do Bar do Pedrão com poças de lama bem servidas, o desafio já era encarado com tristeza e após alguns minutos de puro sofrimento e começava a subida por trás da pedra lascada, após passarmos pelo martírio do pinheirinho. A guerra era interminável e o corpo já sentia tanto esforço e lama, muita lama mesmo, quando então aparecia a pedra lascada, a tal pedra que marcava o início da descida, Down Hill de responsa.
Era então hora de se preparar para a descida, tanto esforço, tanta roubada para um momento que não durava mais que dois minutos, era muito rápido mesmo, afinal essa era a intenção desde o início. Preparação total arrumando as caneleiras de futebol com meião e o que mais tivesse e era hora de mandar pra baixo, na primeira parte, a descida ainda não era tão pra baixo, hora de pedalar ao máximo para conseguir ganhar tempo e se adiantar na descida, então chegava o início da parte mais rápida e junto com as primeiras valas e as pequenas pedras soltas começavam a aparecer, era hora de começar a saltar sobre os obstáculos, o momento era de concentração pura e qualquer vacilo podia representar momentos desagradáveis. Após a última vala e uma curva pra direita vinha a última reta e o final da descida, o solo liso representava o perigo de não conseguirmos concluir o último trajeto e finalmente, a estrada de terra representava a área de escape e a hora de ver quem conseguia cruzar tal linha em primeiro, ou em outras ocasiões, o melhor tempo.
Costumávamos sempre andar em bando, vários amigos juntos poderiam amenizar a situação adversa, na primeira leva estava eu, meu irmão lizóide, Luciano Sobral, Marcelo Barnero, Ricardo Pinguim (skatista profissional), Ricardo Genú, Maurício Cassulino e Bob Burnquist (skatista profissional com diversos títulos mundiais, uma verdadeira lenda do skate vertical), é isso mesmo, Bob fazia altas trilhas na Serra da Cantareira entre 93 e 94, descia muito rápido com sua GT Timberlaine com Rock Shock quadra 10 e componentes Shimano, então avistávamos outro bando chegando, era a equipe Trosa com suas lendas do DownHill Cantareira. Osvardera, Tinão, Tarcísio e seu irmão Ulisses, Passarinho, Marçal, Fábio Matos, outra lenda da Vila Rosa, e que um ano depois ganhou todos os campeonatos realizados na Serra, Renê, Lolão, Guera e Lokinho, hoje em memória completavam o time de pilotos destemidos e muito, mais muito rápidos mesmo.

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(na foto acima, alguns anos depois, sapo punk já na era das full suspension invocada, ele também era invocado).

Após uma breve reunião, a decisão e todos era descer o morro da vovó, uma descida cabulosa que era encarada como subida pelos motoqueiros, então um trem gigantesco de bikes se preparavam para um trecho muito curto, mas uma descida totalmente íngreme, com muita poeira em épocas secas e uma camada superficial de lama em épocas de chuva, a Cantareira proporcionava momentos inesquecíveis como esse, por exemplo, a satisfação de ter convivido com pessoas que inspiravam a pura adrenalina foi realmente incrível. Acredito que o momento era de descobrimento de um novo esporte e as pessoas que mais se identificavam com tal movimento compravam suas bikes em lojas onde o vendedor provavelmente até hoje, ainda não entende realmente o que já se sentia há mais de quinze anos atrás, bike na Cantareira começou em grande estilo, e acho que é por isso que continua tão empolgante até os dias atuais.
valeu, até mais, dentro em breve tem outra história da Cantareira.
valeu.

jul 15

Em breve estaremos publicando alguns artigos sobre a história do DH na cantareira, pelo menos o que foi visto de meados de 1993 até a virada do século aproximadamente, vamos relembrar os principais eventos e algumas histórias engraçadas da geração que revolucionou o Free Ride na zona norte de São Paulo. Vamos relembrar as bikes da época, os equipamentos, os filmes e principalmente os personagens da Vila Rosa, Santa Inês, Vila Aurora, Água Fria, Santana entre outros…aguarde…em breve.

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A foto acima foi tirada em meados de 95 no purga, acho que era invernão, todo dia tinha carro subindo a Cantareira, os primeiros subiam seis, sete da manhã, neblina total na serra, o frio era intenso e a vibe era total, após concluída a trilha dos macacos e saco roxo, a descida do acampare animava para o retão e depois o DH do kim, ai era diretão, última curva a direita e uma parada de lei no final do purga. A próxima etapa era esperar todos e decidir qual seria a melhor maneira de subir o purga, alguns decidiam ir até o bar do pedrão buscar o carro e subir pelo acesso de baixo, que terminava em um asfalto, onde era o início do campeonato, outros não aguentavam esperar e já queriam subir empurrando, capacete no guidão e começa a subida, algumas histórias para passar o tempo e as pernas começava a queimar de tanto esforço, após alcançada a metade do percurso o desânimo era total, então logo chegava o início do estradão, que terminava na lendária trilha das aranhas. Apenas mais alguns metros de subida e o asfalto já era avistado, agora estava perto, a adrenalina começava a subir e ficava nítida a concentração e falta de sorrisos, afinal, estávamos no início do purga, e estava clássico mesmo, a essas alturas o sol da manhã já não esquentava mais nada, fervia, geralmente as baterias eram de 6 pessoas, devido a largura do circuito, o trajeto era simples, estradão direto até a curva para a esquerda, depois uma descida animal e uma curva para a direita, após um s a última descida casca, uma curva pra direita um trecho em cima de uma craca e a última esquerda. assim terminava o purga. Lá em cima estava tudo pronto, últimos preparativos, tudo devidamente checado e lá se foi… A velocidade aumentava absurdamente e a atenção triplicava, trechos muito rápidos chegavam nos olhos em segundos, primeira curva punk para esquerda, até ai metade já tinha ficado para trás e a próxima descida anunciava o perigo constante, um mar de lama ficava do lado direito, tinha que jogar para o outro lado, na esquerda, no meio de uma vala, quando passava o trator ficava tudo perfeito, mas tem quem preferia com as valas, mais emoção. A essas alturas ja estávamos chegando no último retão, descidão, já dava para avistar a curva lá de cima, mas abaixo o barulho da corrente batendo no quadro soava como uma marretada infernal, preciso me manter em pé, estou caindo na craca, crashshshh, não tinha jeito, passei reto e bati no barranco, fui parar na cerca a menos de 20 metros do final, vichcchc, que trilha loca, demais, dh de responsa, ficava alguns minutos apenas respirando, o filme da trilha vinha inteiro na cabeça, muito bom, acabou, chego com minha trek (foto) salvo e pronto para outra descida. Nessa época eu descia de garfo na frente e rabo duro, era um toro sem dono sem fim, quadro de 20 polegadas me distanciava do chão e os rolas eram inevitáveis, a bike tinha um conjunto de deore xt que foi todo arrebentado em menos de 1 ano, não tinha como preservar o equipo, guidão cabo de vassoura serrado, ficava pequeno no bom estyle da época, capacete de moto pesadíssimo e óculos de plástico da oakley da engenheiro caetano álvares (fábrica da antiga mecanótica)completavam a endumentária de proteção. purga clássico, até mais, em breve mais uma história de free ride and free mind. valeu.
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